segunda-feira, 7 de julho de 2014

"Aula particular"

Na terça-feira (04/07), por conta da ausência de alguns alunos, o círculo que formamos em torno da sala ficou reduzido. Com isso, a aula adquiriu um caráter "particular", que, a meu ver, acabou sendo muito interessante. Os diálogos foram mais abertos, mais pessoais, mais intensos. Pude compartilhar com os meus colegas sobre o meu tema, ouvir opiniões e a complementação da professora Andrea, que sempre utiliza seus próprios exemplos para enriquecer o debate. Aproveitei ao máximo a aula!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Trocas

Na aula de terça-feira (01/07) fizemos uma coisa diferente: foram expostos diversos objetos, de valores diferentes e subjetivos, para que fossem trocados. Com essa experiência, pude notar que os valores são bastante relativos. Até mesmo a professora Andrea nos contou a história de sua viagem e o que o dólar representa no relato dela. Percebi que um objeto que não tenha importância nenhuma pra mim no momento, podendo ou não já ter sido importante, pode ter um significado muito maior para outra pessoa.

Com isso, tenho mais certeza ainda de que as pessoas são diferentes e que não existe no mundo algo que não seja útil para alguém, por mais que seja estranho e/ou insignificante para mim. E isso também pode ser aplicado para as pessoas: cada um tem sua importância, sua relevância, seu valor.

Acabo ampliando todos os debates que tenho em aula para diversas esferas, fazendo diversas análises, aplicando em situações rotineiras.

Ainda nesta aula, a Jéssica propôs que nós partilhássemos com ela sua experiência no Clube de Trocas da UFABC: distribuiu um clips para cada um, e, assim como ela fez, sugeriu que trocássemos por outra coisa e ao longo do curso fossemos relatando as trocas. Assim, notaríamos, principalmente quando algo fosse emergencialmente importante para alguém, o valor daquele simples objeto, e assim sucessivamente. Já troquei o meu clips por este objeto:


O começo de um debate

Na sequência, na segunda aula a professora Andrea nos perguntou sobre o andamento do blog, se já tinhamos alguma ideia sobre o tema de pesquisa, etc. Depois, demos início a um debate sobre nossas culturas, relações familiares, amizades, percepções sobre a faculdade, e até mesmo a Copa do Mundo e a noção de identidade nacional que ela desperta.

Sobre a família, achei interessante o relato da Ingrid, que, usando sua própria relação com seu irmão como exemplo, compartilhou conosco sua grande experiência: ela nos contou que seu irmão passava o dia inteiro utilizando o computador, e ninguém em sua casa sabia ao certo o que ele fazia na internet. A Ingrid acrescentou que o rendimento escolar de seu irmão era insatisfatório, acrescendo, também, que ele já foi reprovado na escola. Por conta disso, um certo dia ela resolveu observar o que ele fazia na internet, e foi aí que veio a surpresa: ele assistia a vídeos e lia diversos artigos relacionados a consertos e funcionamento de objetos eletroeletrônicos.

Este relato me fez lembrar de um texto do autor Da Matta, no qual ele discute sobre o conceito de “Familiar em exótico”, isto é, a Ingrid tem contato direto com seu irmão, ele é totalmente familiar para ela, mas ela descobriu que, mesmo convivendo com ele, este possui habilidades que aquela nem imaginava que ele poderia ter, que são totalmente diferentes das que ela possui. Em suma, ela e seus pais passaram a entender que a grande habilidade pessoal que seu irmão tem é muito importante e deve ser valorizada.
Com isso, passei a refletir sobre as habilidades pessoais dos indivíduos, e cheguei a conclusão de que elas, muitas vezes, são bem mais relevantes do que o ensino linear que é passado para nós nas escolas. Estas habilidades são capazes de nos motivar, não possuem o peso da obrigação que normalmente a escola nos atribui. Penso, assim, que o irmão da Ingrid tem grande potencial, que, talvez, não seja importante para a instituição de ensino que ele frequenta. Mas, mesmo assim, não pode ser deixado de lado. Disso, fiz uma conexão com o tema “Invisibilidade” que estou trabalhando.

Acredito que o irmão da Ingrid, por não se enquadrar nos pré-requisitos que permitiriam a aprovação dele em sua escola, por vezes, foi julgado. Seja pelo corpo docente da instituição, seja pelos amigos, familiares. Em algum momento, ele se sentiu invisível por não seguir determinadas regras, por, talvez, ser a exceção daquela turma. Por isso, volto a falar sobre o que comentei no meu último post: cada um possui a sua particularidade. Porém, nossas maiores virtudes às vezes não são notadas por não serem exatamente o que as pessoas esperam de nós. Com isso, percebi que a invisibilidade se tornou um fenômeno comum, noto que as pessoas normalmente não se interessam em conversar com as outras, desvendar seus mistérios, suas dúvidas. Admiro a atitude da minha colega de classe Ingrid, que teve coragem de romper com este bloqueio da invisibilidade que o irmão dela começou a despertar nas pessoas, e, com isso, descobriu o dom que ele possui.

O primeiro contato com a disciplina

Este blog faz parte do programa do curso “Identidade e Cultura”, ministrado pela professora Andrea Paula, na Universidade Federal do ABC. Na primeira aula, debatemos sobre as seguintes palavras-chave: identidades, cultura, alteridade e performance. A partir do conhecimento destes conceitos, foi proposta a criação de um blog, no qual informações, observações cotidianas e ideias poderão ser compartilhadas como um diário. Desse modo, observando o mundo ao nosso redor, também foi proposta a criação de um tema de pesquisa, que será como um suporte para o alinhamento de nossas reflexões.

Após o término da primeira aula, comecei a refletir sobre as situações com as quais tenho contato diariamente. Mesmo sem ter definido ainda o tema da minha pesquisa, já pude notar que a minha percepção acerca das coisas, e, principalmente, das pessoas, sofreu algum tipo de alteração. Passo, agora, a tentar imaginar como são, de fato, as pessoas com as quais “esbarro” diariamente. De onde vieram, quais são as suas histórias, gostos, personalidade. Parece que estou me interessando mais pelas pessoas e toda a bagagem existencial que cada um carrega consigo. Ninguém é apenas mais um, cada um possui a sua particularidade. Pegando a minha vida cotidiana como exemplo (percorro por volta de 20 estações de metrô no trajeto faculdade-trabalho), percebo que, para muitos, as pessoas são apenas objetos. Percebo a existência de grupos sociais e uma coisa começou a me atrair muito: a invisibilidade. Digo invisibilidade em seu mais abrangente sentido: a invisibilidade dos funcionários do metrô, das pessoas que são responsáveis pela limpeza, dos idosos, das grávidas, das pessoas com criança de colo, e, o mais forte e impactante fenônemo do século XXI: o poder da internet e das redes sociais. Pessoas, que nem ao menos conseguem olhar para quem está sentado ao seu lado por conta de seus tablets, smartphones, iPhones.

A era digital contribui e muito para a questão da invisiblidade social: coisas e pessoas passam despercebidas, no sentido mais literal possível da palavra. O mundo externo passou a ser um mero detalhe, e o mundo virtual passou a ser o mais importante. É interessante notar que as pessoas cada vez mais se encontram dentro deste mundo virtual, acham a sua verdadeira identidade ao entrar em contato com outras culturas, outros povos. Mais interessante ainda é perceber que, muitas vezes, esta identidade que é encontrada no mundo virtual é mais bem aceita pelo próprio indivíduo do que a que ele possui no mundo externo.

Fazendo esta análise e notando como este assunto despertou meu interesse, percebi que o meu tema de pesquisa já foi definido: a invisibilidade nas relações humanas.