Este blog faz parte do programa do curso “Identidade e
Cultura”, ministrado pela professora Andrea Paula, na Universidade Federal do
ABC. Na primeira aula, debatemos sobre as seguintes palavras-chave:
identidades, cultura, alteridade e performance. A partir do conhecimento destes
conceitos, foi proposta a criação de um blog, no qual informações, observações
cotidianas e ideias poderão ser compartilhadas como um diário. Desse modo,
observando o mundo ao nosso redor, também foi proposta a criação de um tema de
pesquisa, que será como um suporte para o alinhamento de nossas reflexões.
Após o término da primeira aula, comecei a refletir sobre as
situações com as quais tenho contato diariamente. Mesmo sem ter definido ainda
o tema da minha pesquisa, já pude notar que a minha percepção acerca das
coisas, e, principalmente, das pessoas, sofreu algum tipo de alteração. Passo, agora,
a tentar imaginar como são, de fato, as pessoas com as quais “esbarro”
diariamente. De onde vieram, quais são as suas histórias, gostos,
personalidade. Parece que estou me interessando mais pelas pessoas e toda a
bagagem existencial que cada um carrega consigo. Ninguém é apenas mais um, cada
um possui a sua particularidade. Pegando a minha vida cotidiana como exemplo
(percorro por volta de 20 estações de metrô no trajeto faculdade-trabalho),
percebo que, para muitos, as pessoas são apenas objetos. Percebo a existência
de grupos sociais e uma coisa começou a me atrair muito: a invisibilidade. Digo
invisibilidade em seu mais abrangente sentido: a invisibilidade dos funcionários
do metrô, das pessoas que são responsáveis pela limpeza, dos idosos, das
grávidas, das pessoas com criança de colo, e, o mais forte e impactante
fenônemo do século XXI: o poder da internet e das redes sociais. Pessoas, que
nem ao menos conseguem olhar para quem está sentado ao seu lado por conta de
seus tablets, smartphones, iPhones.
A era digital
contribui e muito para a questão da invisiblidade social: coisas e pessoas
passam despercebidas, no sentido mais literal possível da palavra. O mundo
externo passou a ser um mero detalhe, e o mundo virtual passou a ser o mais
importante. É interessante notar que as pessoas cada vez mais se encontram dentro
deste mundo virtual, acham a sua verdadeira identidade ao entrar em contato com
outras culturas, outros povos. Mais interessante ainda é perceber que, muitas
vezes, esta identidade que é encontrada no mundo virtual é mais bem aceita pelo
próprio indivíduo do que a que ele possui no mundo externo.

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