quinta-feira, 3 de julho de 2014

O começo de um debate

Na sequência, na segunda aula a professora Andrea nos perguntou sobre o andamento do blog, se já tinhamos alguma ideia sobre o tema de pesquisa, etc. Depois, demos início a um debate sobre nossas culturas, relações familiares, amizades, percepções sobre a faculdade, e até mesmo a Copa do Mundo e a noção de identidade nacional que ela desperta.

Sobre a família, achei interessante o relato da Ingrid, que, usando sua própria relação com seu irmão como exemplo, compartilhou conosco sua grande experiência: ela nos contou que seu irmão passava o dia inteiro utilizando o computador, e ninguém em sua casa sabia ao certo o que ele fazia na internet. A Ingrid acrescentou que o rendimento escolar de seu irmão era insatisfatório, acrescendo, também, que ele já foi reprovado na escola. Por conta disso, um certo dia ela resolveu observar o que ele fazia na internet, e foi aí que veio a surpresa: ele assistia a vídeos e lia diversos artigos relacionados a consertos e funcionamento de objetos eletroeletrônicos.

Este relato me fez lembrar de um texto do autor Da Matta, no qual ele discute sobre o conceito de “Familiar em exótico”, isto é, a Ingrid tem contato direto com seu irmão, ele é totalmente familiar para ela, mas ela descobriu que, mesmo convivendo com ele, este possui habilidades que aquela nem imaginava que ele poderia ter, que são totalmente diferentes das que ela possui. Em suma, ela e seus pais passaram a entender que a grande habilidade pessoal que seu irmão tem é muito importante e deve ser valorizada.
Com isso, passei a refletir sobre as habilidades pessoais dos indivíduos, e cheguei a conclusão de que elas, muitas vezes, são bem mais relevantes do que o ensino linear que é passado para nós nas escolas. Estas habilidades são capazes de nos motivar, não possuem o peso da obrigação que normalmente a escola nos atribui. Penso, assim, que o irmão da Ingrid tem grande potencial, que, talvez, não seja importante para a instituição de ensino que ele frequenta. Mas, mesmo assim, não pode ser deixado de lado. Disso, fiz uma conexão com o tema “Invisibilidade” que estou trabalhando.

Acredito que o irmão da Ingrid, por não se enquadrar nos pré-requisitos que permitiriam a aprovação dele em sua escola, por vezes, foi julgado. Seja pelo corpo docente da instituição, seja pelos amigos, familiares. Em algum momento, ele se sentiu invisível por não seguir determinadas regras, por, talvez, ser a exceção daquela turma. Por isso, volto a falar sobre o que comentei no meu último post: cada um possui a sua particularidade. Porém, nossas maiores virtudes às vezes não são notadas por não serem exatamente o que as pessoas esperam de nós. Com isso, percebi que a invisibilidade se tornou um fenômeno comum, noto que as pessoas normalmente não se interessam em conversar com as outras, desvendar seus mistérios, suas dúvidas. Admiro a atitude da minha colega de classe Ingrid, que teve coragem de romper com este bloqueio da invisibilidade que o irmão dela começou a despertar nas pessoas, e, com isso, descobriu o dom que ele possui.

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